Na noite de 25 de abril de 1986, um teste de rotina na usina nuclear de Chernobyl perto de Pripyat, Ucrânia, deu muito errado. Uma falha catastrófica no reator nuclear Número 4 ocasionou uma explosão gigante que liberou quantidades enormes de resíduos de fissão radioativa no ar. Nos primeiros quatro meses após o acidente, 28 pessoas morreram e a vida selvagem vizinha foi assolada pelos efeitos da exposição à radiação. A cidade vizinha de Pripyat foi evacuada, permanecendo como uma cidade praticamente fantasma nos últimos 33 anos.

Desde 1994, o fotógrafo David McMillan já viajou 21 vezes à Zona de Exclusão de Chernobyl – documentando, com a devida orientação, as mudanças na paisagem: a natureza lentamente recuperando seu espaço do que sobrou da civilização nesse deserto nuclear.

Seu novo livro, Growth and Decay (Crescimento e Ruína, em tradução livre), é o resultado dessas excursões e apresenta cerca de 200 dessas perturbadoras fotos. McMillan compartilhou com o BuzzFeed News uma galeria de imagens do livro e o que pensa sobre tirar fotos em uma zona de cinza nuclear.

BUZZFEED: O que há em Chernobyl que faz com que você continue voltando para lá?
David McMillan: Eu estudei pintura, mas me interessei muito mais por fotografia. O tema das minhas fotografias tem muito a ver com a tensão entre natureza e cultura, e isso fez com que eu começasse a fotografar em Chernobyl em 1994.Fiquei muito contente com as fotografias após aquela visita inicial – e, com a sensação de ter visto apenas uma parte do que havia lá, voltei seis meses depois. Após vários anos fotografando em Chernobyl, ficou claro que havia uma certa dicotomia lá: a natureza proliferava enquanto o ambiente construído deteriorava, e isso se tornou o escopo do livro.

BUZZFEED:Você já temeu pela sua saúde ou segurança enquanto tirava essas fotos?
David McMillan: Nos anos 90, eu geralmente era transportado em veículos contaminados demais para saírem da zona de exclusão e tinha de passar a noite em dormitórios fora da zona. Hoje em dia, fico na cidade de Chernobyl, e meu guia tem o seu próprio carro. Com relação à segurança, eu aceitei que há um certo risco. Mas fui avisado sobre onde ficam as áreas mais contaminadas e passo menos tempo lá. Com a diminuição do perigo da radiação, a proliferação de javalis selvagens está se tornando preocupante, mas o risco atual são os prédios que estão desabando.

BUZZFEED: Analisando todos os seus anos de trabalho, houve alguma nova narrativa ou detalhe interessante que foi ignorado ou você não percebeu a princípio?
David McMillan: Minha visita original, em 1994, foi especulativa, no sentido de que eu não sabia o que encontraria ou quão livremente poderia me locomover. Quando compreendi o escopo do que era possível, percebi que havia diversos temas que me atraiam, como a abundância de artefatos da era da URSS e o já mencionado crescimento e ruína. Fotografar novamente locais que eu havia visto em visitas anteriores se tornou importante, e as fotografias de pisos e vegetações se tornaram um novo tema para mim. A zona estava mudando, e eu queria ser parte dessa obra. Devo admitir que em todas as visitas surgiram situações que eu não havia considerado como interessantes para uma fotografia antes, mas que subitamente ofereciam novas oportunidades.

Leia a entrevista completa no BuzzFeed News.

Foto:David McMillan
Foto:David McMillan
Foto:David McMillan
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