Aos 14 anos ela começou a fotografar escondida. Em pleno século XX onde o papel da mulher era longe do protagonismo da autoria, em que esposas e filhas de fotógrafas, no máximo, atuavam somente dentro do laboratório fotográfico com trabalhos de finalização e arremate, Gioconda Rizzo teria sido a primeira fotógrafa profissional no Brasil a ter um estúdio.

gioconda rizzo youtube
Gioconda Rizzo durante entrevista para a “Moviola”, em 1999. Reprodução Youtube

Se ainda estivesse viva,  completaria 121 anos neste ano. A filha de Michele Rizzo, um fotógrafo italiano radicado em São Paulo, dono do Ateliê Rizzo, localizado na Rua Direita, no centro de São Paulo,  que fazia retratos de mebros de famílias tradicionais e formaturas da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo – em um primeiro momento, por ordem do pai, fotografava somente crianças e senhoras.

As primeiras chapas‚ eu tirei e revelei escondida do meu pai. Foram duas fotos de uma amiga. Quando ele descobriu‚ tive receio de que brigasse comigo. Ele me olhou com um ar severo‚ mas disse: ’Essa menina ainda vai me passar a perna.

A brincadeira tinha alguma razão. Não porque Gioconda passaria a perna em seu próprio pai. E sim por conta de seu talento. Gioconda passou a enquadrar em suas fotos apenas ombros em rostos, em uma época que os fotógrafos retratavam as pessoas de corpo inteiro, em pé ou sentados.

O modo inovador adotado por Gioconda, na época, logo chamou a atenção das damas da alta sociedade paulistana e isso fez com que a fotógrafa ganhasse fama e tivesse sua própria cartela de clientes. Sua técnica enaltecia a sensualidade de suas clientes, algo inédito e ousado naqueles tempos.

Entre 1914 e 1916, Gioconda teve seu próprio estúdio, próximo ao Ateliê Rizzo, chamado Photo Femina. Era a primeira vez que uma mulher atuava no Brasil como fotógrafa profissional. Apesar do sucesso e da fama por conta de sua técnica ousada de retratar mulheres, o estúdio acabou durando pouco por conta da dificuldade de manter um trabalho assim em uma sociedade tão rígida.  Gioconda, no entanto, não parou por aí.  Ela aprendeu novas técnicas como a de aplicar fotografia sobre objetos e porcelanas.

Gioconda Rizzo morreu em 2004, aos 107 anos, deixando um legado não só no campo das técnicas fotográficas, mas da luta feminina para ter um espaço profissional.

Yolanda Pereira, Miss Universo de 1930, por Gioconda Rizzo

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