O World Press Photo bateu o martelo sobre os finalistas da edição de 2019. O cobiçado concurso entre os fotojornalistas entra sua 62ª premiação.

Para selecionar os vencedores de 2019 os juízes revisaram 78.801 fotografias de 4.738 fotógrafos durante um período de três semanas, que teve início no dia 12 de janeiro de 2019.

Na última semana, a World Press anunciou os 6 finalistas da edição e o campeão será revelado no dia 11 de abril, durante uma cerimônia em Amsterdã.

1 – Vítimas de ataque químico recebem tratamento em Ghouta Oriental

O clique do fotógrafo Mohammed Badra em 25 de fevereiro de 2018, retrata um distrito suburbano na região próxima à Damasco, que concentra alguns dos últimos grupos de rebeldes da Guerra da Síria. Na imagem, um homem e uma criança recebem atendimento médico após um suposto ataque de gás sarin, arma química proibida em guerra há anos. Ghouta Oriental, o lugar do ataque, é uma região rebelde da Síria, foi sitiada pelas forças do governo por cinco anos.  Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), houve 13 hospitais e clínicas danificados ou destruídos em apenas três dias, 4.829 feridos e 1.005 mortos entre 18 de fevereiro e 3 de março de 2018.

2 – Garoto de Almajiri

O registro de autoria do fotógrafo Marco Gualazzini propõe um retrato da crise humanitária na Bacia do Chade, causada por uma combinação complexa de conflitos políticos e fatores ambientais. O Lago Chade, localizado no país homônimo, já foi um dos maiores lagos da África e uma verdadeira fonte de sobrevivência para 40 milhões de pessoas que moram no interior do continente e que atualmente passa por um fenômeno de brutal desertificação. Irrigação mal planejada, desmatamento e má administração de recursos, agravados por uma seca prolongada, fez o tamanho do lago diminuir em 90% nos últimos 60 anos.

Os meios tradicionais de subsistência do povo de lá, como a pesca, murcharam – e a escassez de água está causando conflitos entre agricultores e pastores de gado. Para agravar ainda mais a situação, o grupo terrorista Boko Haram, que é ativo na área, se beneficia das dificuldades. Atualmente, o grupo usa aldeias locais como um local de recrutamento de seguidores.

3 – Estar grávida após o banimento de crianças nas FARC

A moça da foto, Yorladis, em um registro da fotógrafa Catalina Martin-Chico, encara sua sexta gestação. Ela foi guerrilheira das FARC. Suas outras cinco gestações foram interrompidas, por conta das regras das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que consideravam a gravidez incompatível com a vida de guerrilha. Ela diz que conseguiu proteger sua quinta gestação até o sexto mês usando roupas soltas, para esconder a barriga de seu comandante. No entanto, após a assinatura do acordo de paz entre o governo colombiano e o movimento rebelde das FARC em 2016, finalmente as mulheres associadas a organização paramilitar podem engravidar o que resultou em um baby boom entre ex-mulheres guerrilheiras.

4- O desaparecimento de Jamal Khashoggi

O desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi, que era gerente geral e editor-chefe da Al-Arab News Channel, provocou comoção internacional ano passado. Crítico do regime da Arábia Saudita, ele desapareceu depois de entrar no consulado em Istambul para obter documentos no dia 2 de outubro.

No registro do fotógrafo Chris McGrath, um homem não identificado tenta segurar a imprensa no dia 15 de outubro, quando investigadores sauditas chegam ao consulado da Arábia Saudita em Istambul, Turquia. Após semanas de boatos e informações falsas, o governo anunciou que Khashoggi havia sido morto acidentalmente durante uma briga. Mas as autoridades turcas e a CIA acreditam que o jornalista tenha sido assassinado por agentes da inteligência saudita.

5 – Menina chorando na fronteira

No dia 6 de abril, o Procurador Geral dos EUA, Jeff Sessions, anunciou uma política de “tolerância zero”, afirmando que as pessoas que forem apanhadas entrando ilegalmente nos EUA seriam processadas criminalmente. Após o anúncio, a imprensa começou a relatar que as famílias detectadas nas fronteiras estavam sendo separadas – os pais eram presos e as crianças levadas a verdadeiros “centros de detenção” infantis. Em muitos casos, os pais não tinham registro oficial nenhum da localização de seus filhos. Àudios das crianças sendo sofrendo maus-tratos dentro desses espaços se espalharam pelas redes sociais. Uma comoção global cobrou uma resposta do governo norte-americano sobre a bárbarie. A foto chegou a ser utilizada em uma icônica capa da Time.

No contexto da imagem, famílias de imigrantes haviam atravessado o Rio Grande pelo México para entrarem nos EUA, mas foram detidas. Yana, a garotinha da foto, que não tinha nem dois anos completos, e sua mãe Sandra Sanchez faziam parte de uma caravana de refugiados que iniciou sua jornada no sul do México em abril de 2018. O fotógrafo John Moore fez o registro em McAllen, no Texas, em 12 de junho. Com protestos públicos – nos quais essa imagem teve um papel fundamental – fizeram com que o presidente Donald Trump interrompesse as separações familiares em 20 de junho.

6 – Akashinga – as valentes

No Zimbábue, onde a conservação da natureza vem se tornando cada vez mais um campo de batalha, um grupo de guardas florestais anti-caça ilegal de animais, formado exclusivamente por mulheres, está na linha de frente de um  modelo de proteção alternativo.As chamadas Akashinga (ou “valentes”) trabalham para garantir benefícios a longo prazo às comunidades através da proteção do meio ambiente. Elas resgatam mulheres de meios desfavorecidos para se juntar ao time, capacitando-as, oferecendo empregos e ajudando pessoas locais a se beneficiar diretamente da preservação da vida selvagem.

Elas foram criticadas, no entanto, por participar de eventos de caça e captura de animais em troca de recompensas. A justificativa do grupo é que elas trocam a vida de um animal (o caçado, no caso) pela vida de muitos (que elas são capazes de salvar com a ajuda financeira derivada dos prêmios). O registro é do fotógrafo Brent Stirton, Petronella Chigumbura (30) participa de treinamento camuflado no Phundundu Wildlife Park.

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